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Botox™️: antídoto pode vir de aranhas viúvas-negras

Embora já exista antídoto para a toxina botulínica, ainda não existe antídoto para o Botox™️. Mas ele já está sendo estudado.

A informação ficou um pouco confusa?

Explico. Acontece que o soro antibotulínico é utilizado no caso de botulismo, uma doença em que a pessoa contrai o microrganismo vivo, isto é, a “fábrica” de toxina botulínica, o Clostridium botulinum.

Uma das principais espécies secretoras de neurotoxina botulínica, o Clostridium botulinum é uma bactéria extremamente perigosa. Isto porque, após a contaminação, começa a liberar a toxina no organismo de forma desordenada. A essa condição damos o nome de “botulismo”, uma doença gravíssima cujo prognóstico depende da brevidade do tratamento.

Para os casos em que o Botox™️ foi administrado de forma errada e é necessário reverter o quadro, o soro antibotulínico não é empregado, dado que, uma vez que já se tenham iniciado os efeitos advindos da aplicação, não há mais neurotoxina circulante. Em outras palavras, a droga já está agindo, fora do alcance dos agentes neutralizantes do soro.

Atualmente, muito se fala de drogas potencialmente abreviadoras da ação da toxina botulínica, como complexos vitamínicos ou uso de laser e microcorrente, mas com índice de evidências científicas questionáveis.

Até o momento, não existe no mercado uma droga eficiente na reversão dos efeitos indesejados da toxina botulínica; contudo, em primeiro lugar, vale lembrar que os efeitos indesejados da droga são 100% reversíveis a curto prazo, não gerando qualquer dano ao paciente.

A melhor notícia, porém, é de que já está em estudo uma droga aparentemente eficaz para reverter a ação do Botox™️. Trata-se de uma outra neurotoxina, com mecanismo de ação diferente da toxina botulínica. O nome desse composto é “alpha-latrotoxina”, oriundo do veneno de aranhas viúvas-negras. Na verdade, ele é o principal composto ativo do veneno dessas aranhas, responsáveis pelos sintomas do envenenamento em vertebrados.

A alpha-latrotoxina age de forma contrária à ação da toxina botulínica, liberando grandes quantidades de acetilcolina. Os estudos com alpha-latrotoxina ainda não foram concluídos, mas é certo que essa droga promissora será uma realidade num futuro próximo.

 

Aguardemos.

Dr. Flávio Luposeli